História
agosto 20, 2026

Corrida da Amazon por Dados de IA Coloca Livros Raros “na Faca”

Uma investigação guiada por rastreadores intensificou o escrutínio sobre as compras de livros da Amazon para treinamento de IA, com relatos de que volumes raros são desmontados e digitalizados em uma instalação em Las Vegas. A Amazon diz que compra livros por canais comerciais para melhorar seus produtos.

A Amazon construiu seu nome vendendo livros. Agora, o rastro de volumes raros que estariam indo parar em um de seus armazéns levantou a possibilidade mais sombria de que impressos insubstituíveis estejam sendo consumidos para alimentar a inteligência artificial.

O alerta ficou mais agudo depois que a 404 Media colocou um rastreador dentro de um lote de livros raros. O dispositivo acabou levando à instalação VGT3 da Amazon em Las Vegas, um armazém identificado por um símbolo de dinossauro com um livro.

Trabalhadores do local disseram ao veículo que a operação recebe enormes remessas de livros impressos, remove suas encadernações e os escaneia em alta velocidade. “O livro impresso é destruído no processo.” O relato acompanha reportagens anteriores de que empresas de IA vêm comprando livros usados em grande quantidade para dados de treinamento.

A lógica aparente é brutalmente simples: modelos de linguagem de grande porte exigem vastos repositórios de texto, enquanto o material disponível gratuitamente online tornou-se cada vez mais exaurido, contestado ou poluído por textos gerados por IA. Livros raros e fora de catálogo podem oferecer textos difíceis de encontrar em formato digital — e, crucialmente, anteriores à atual onda de IA generativa.

A Amazon não abordou a destruição de livros relatada no material fornecido. Mas a empresa disse à 404 Media que “compra livros por canais comerciais para melhorar os produtos e serviços que os clientes utilizam.”

Essa resposta captura o fosso. Para a Amazon, os livros são insumos adquiridos comercialmente para produtos melhores. Para os críticos da prática, o experimento com o rastreador sugere uma conversão unidirecional de cultura física escassa em dados legíveis por máquina: lombadas cortadas, páginas digitalizadas e edições que podem ser impossíveis de substituir reduzidas a sucata.