História
agosto 21, 2026

Recompra de Títulos de Bessent Não Consegue Comprar a Saída do Problema da Dívida dos EUA

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, está dobrando as compras de títulos de longo prazo para acalmar os mercados enquanto a dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões. Defensores chamam a medida de instrumento de liquidez; críticos dizem que o verdadeiro teste é se Washington consegue conter os déficits que impulsionam os juros para cima.

Scott Bessent está tentando tranquilizar um mercado de títulos abalado pela alta dos rendimentos de longo prazo justamente quando a dívida nacional ultrapassou US$ 40 trilhões. Sua aposta é que um Tesouro mais ativo pode estabilizar as negociações sem mudar o rumo fiscal mais amplo do governo.

O gatilho imediato foi uma disparada nos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, com a taxa de 30 anos atingindo seu nível mais alto em quase duas décadas. O Tesouro então afirmou que pelo menos dobraria as recompras de títulos em circulação com vencimentos entre 10 e 30 anos, de um máximo de US$ 2 bilhões por operação para pelo menos US$ 4 bilhões, a partir de 9 de setembro. Bessent enquadrou a medida como um conserto de liquidez, e não um resgate, argumentando que alguns vencimentos eram pouco negociados e estavam com preços distorcidos. “Nós vamos fazer mercado… nesses papéis”, disse ele, acrescentando que as compras podem superar US$ 4 bilhões.

Essa intervenção veio dias depois de a dívida federal bruta ultrapassar US$ 40 trilhões, apenas cinco meses após ter passado de US$ 39 trilhões. Bessent pediu aos mercados que não fetichizassem o marco: “Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões”, disse. “E nós podemos crescer e sair disso.” Seu argumento se baseia em crescimento futuro, receita tarifária, incentivos ao investimento e uma prometida agenda de consolidação fiscal — não apenas na mecânica do mercado de títulos.

Críticos veem a sequência de outra forma. Robin Brooks, do Brookings, chamou as recompras maiores de engenharia financeira que evita a questão central: um déficit projetado próximo de US$ 2 trilhões neste ano fiscal. Suprimir rendimentos enquanto a política fiscal permanece frouxa, alertou ele, corre o risco de transformar um problema de dívida em um problema cambial: “Os EUA estão brincando com fogo com essa recompra.”

Outros analistas de mercado são menos apocalípticos, mas não menos céticos. Lawrence Gillum, da LPL Financial, diz que leilões ordenados, expectativas de inflação ancoradas e volatilidade contida argumentam contra uma crise imediata no mercado de Treasuries. Ainda assim, ele também espera que déficits e forte emissão mantenham os juros longos em alta — fazendo das recompras mais um curativo simbólico do que uma cura duradoura.

O histórico mais amplo de Bessent intensificou essa preocupação. O ex-funcionário do Tesouro Mark Sobel o chamou de “ativista”, enquanto analistas observaram que as intervenções do governo — desde operações com o iene até sinais de gestão da dívida — se afastam da abordagem habitual do Tesouro de ser “regular e previsível”. O anúncio chegou a puxar brevemente os rendimentos de 10 anos para baixo em cerca de 6 pontos-base e os de 30 anos em 9 pontos-base, antes de parte do movimento se reverter.

O pano de fundo político é igualmente implacável: um gráfico amplamente compartilhado citado por Steve Rattner apontou que a dívida continuou subindo apesar da promessa do presidente Donald Trump de reduzi-la, já superando 100% do PIB e caminhando para um recorde de época de guerra. Bessent talvez consiga aliviar um mercado machucado. A tarefa mais difícil é convencer os investidores de que Washington vai enfrentar o que o está machucando.