História
agosto 25, 2026
A Proposta de Segurança da Flock Enfrenta uma Revolta Crescente Contra a Vigilância
A Flock Safety tornou-se uma potência bilionária em tecnologia policial ao vender câmeras e ferramentas de dados como infraestrutura de combate ao crime. Agora, disputas sobre propriedade de dados, acesso policial e suposto uso indevido estão testando se sua expansão pode sobreviver a uma reação pública.
A Flock Safety construiu seu negócio com uma promessa simples: mais câmeras, mais dados e respostas mais rápidas para a polícia. Sua ascensão rápida, em vez disso, produziu uma questão mais difícil para cidades e moradores — quem controla o sistema quando ele está em todos os lugares?
A empresa começou em Atlanta em 2017 depois que o fundador e CEO Garrett Langley, em resposta a arrombamentos em seu bairro, desenvolveu uma câmera de placa de licença com ex-colegas. A partir de associações de moradores, a Flock se expandiu para contratos com a polícia e, depois, para sistemas de vídeo, detecção de tiros, drones e ferramentas de busca com IA. Ela agora opera em mais de 5.000 comunidades em 49 estados e diz ter levantado US$ 500 milhões com uma avaliação de US$ 8,3 bilhões.1
Essa escala intensificou a resistência. Defensores da privacidade e grupos de liberdades civis dizem que agentes teriam usado os sistemas para perseguir pessoas, enquanto departamentos podem compartilhar informações entre diferentes jurisdições — inclusive com o ICE, potencialmente além dos limites das leis estaduais ou dos termos sob os quais as câmeras foram instaladas. A oposição saiu das salas de reunião para as ruas: câmeras foram pintadas, atacadas com carros, manchadas e derrubadas em pelo menos 36 estados.1
A disputa central é a propriedade. A Flock diz que os clientes — departamentos de polícia, associações de moradores e clientes privados — detêm os dados. Críticos apontam para cláusulas contratuais que podem permitir que a Flock retenha material para seus próprios fins, incluindo treinamento de aprendizado de máquina. A polícia de Los Angeles começou a renegociar seu acordo depois que uma auditoria da corregedoria citou disposições que permitiam à Flock usar parte do material “para qualquer finalidade a critério exclusivo da Flock” e imagens anonimizadas para “treinamento de algoritmos de aprendizado de máquina.”1
A reação já teve consequências comerciais. Boston, Flagstaff e Santa Clara romperam com a Flock em março; a Ring posteriormente encerrou sua integração. Em julho, o LAPD afirmou que estava revisitando seu acordo. A Flock respondeu com novos limites, incluindo um período recomendado de retenção de sete dias, abaixo do padrão anterior de 30 dias — embora contratos locais ainda possam estabelecer períodos muito mais longos.
Langley argumenta que a empresa continua indispensável, dizendo que está “ampliando nossa base de clientes a uma taxa dez vezes maior que a rotatividade de clientes”, enquanto aponta para crimes solucionados e pessoas desaparecidas encontradas.1 O conflito não é mais sobre se a tecnologia funciona. É sobre se a segurança pública pode ser construída sobre uma rede de vigilância cujos limites permanecem negociáveis.