História
agosto 26, 2026
Acordo Recorde da Meta sobre Segurança Infantil Deixa Seus Críticos Mais Duros Insatisfeitos
O acordo proposto de US$ 18 bilhões da Meta imporia proteções nacionais para adolescentes após anos de litígios. Autoridades estaduais e defensores das crianças o consideram um passo importante, mas argumentam que ele fica aquém de conter os recursos da plataforma que, segundo eles, causam os danos mais profundos.
A Meta concordou com um acordo recorde sobre segurança infantil, trocando um confronto judicial caro por novos limites sobre como adolescentes usam o Facebook e o Instagram. O acordo é histórico em escala — mas seus defensores mais fervorosos da proteção infantil dizem que ainda fica aquém de redesenhar os produtos que estão no centro da disputa.
O confronto vinha se formando há anos. Em março, um júri do Novo México considerou a Meta responsável por 75.000 violações de proteção ao consumidor; em agosto, um juiz acrescentou uma constatação de incômodo público, elevando as penalidades do estado para cerca de US$ 942 milhões. Um caso multilateral mais amplo já estava em andamento quando a Meta concordou, nesta semana, em pagar até US$ 18 bilhões ao longo de uma década, sujeito à aprovação judicial.1
As regras nacionais propostas dariam aos usuários menores de 18 anos um limite padrão de duas horas diárias entre Facebook e Instagram, bloqueios noturnos, notificações mais silenciosas durante o horário escolar, contagens de curtidas ocultas, verificações de idade mais rígidas e auditorias independentes de conformidade. A Meta diz que o modelo precisa se estender além de seus próprios aplicativos: o diretor jurídico C.J. Mahoney argumentou que, como os adolescentes circulam entre plataformas, “precisamos de uma solução para todo o setor”, conclamando TikTok e YouTube a adotar os mesmos compromissos.2
Para o procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, isso é um avanço — mas não equipara ao que seu estado obteve no julgamento. Ele disse que um acordo nacional deveria ter incluído “uma proibição direta de interações românticas e sexualizadas de chatbots de IA com menores” e proteções mais fortes contra adultos que entram em contato com crianças de forma privada.1
Defensores da segurança infantil compartilham dessa frustração. A Fairplay elogiou as proteções noturnas, mas criticou o acordo por não desativar, por padrão, os algoritmos de recomendação que, segundo a organização, podem direcionar crianças a predadores e a conteúdo nocivo. A crítica do grupo é direta: o acordo depende demais de controles parentais e avisos, em vez de restringir recursos de design perigosos.1
Defensores da privacidade veem um risco diferente no mesmo acordo. O Center for Democracy and Technology celebrou o maior controle familiar, mas alertou que uma verificação etária abrangente poderia expor todos os usuários a verificações invasivas e restringir menores sem levar em conta necessidades individuais.1
Isso deixa o acordo da Meta como ao mesmo tempo um marco e um teste: um novo padrão oneroso para proteções a adolescentes, ou um conserto parcial que empurra as crianças — e seus dados — para a próxima batalha ainda não resolvida.