História
agosto 27, 2026
O plugin Messages do ChatGPT transforma o chat em grupo em uma disputa por consentimento
A OpenAI afirma que seu novo plugin para Mac lê o Messages apenas quando solicitado e permanece local por padrão. Críticos dizem que essa salvaguarda pouco ajuda todas as outras pessoas cujas mensagens privadas podem se tornar pesquisáveis sem seu consentimento.
Um novo plugin do ChatGPT promete domar o buraco negro das mensagens antigas. Em vez disso, transformou o chat em grupo em um teste de quem pode decidir quando uma conversa privada se torna legível por IA.
A OpenAI lançou na semana passada sua integração com o Apple Messages para o ChatGPT no Mac, permitindo que usuários pesquisem conversas de iMessage, SMS e RCS, resumam conversas, redijam respostas e as enviem. A configuração exige instalação explícita e permissões, incluindo AppleScript, Acessibilidade e Acesso Total ao Disco. A OpenAI afirma que a ferramenta não indexa automaticamente o histórico do Messages: ela lê uma conversa apenas quando o usuário faz uma solicitação que exige isso, e o material permanece no Mac por padrão.1
Essa distinção não acalmou os críticos de privacidade. O especialista em segurança Paul Walsh argumenta que a criptografia não vem ao caso quando o computador de um destinatário pode entregar mensagens legíveis a outro sistema. “Cada pessoa para quem envio uma mensagem pelo iMessage jamais saberá que tenho um terceiro dentro desse aplicativo”, afirmou ele.1 Sua preocupação é coletiva: a adesão de um participante pode expor anos de trocas escritas por pessoas que nunca aderiram.
O CTO da Lookout, Dave Richardson, apresentou uma visão mais restrita, mas ainda cautelosa. Ao chamar o rótulo de spyware de “um pouco forte demais”, ele observou que o recurso vem desativado por padrão e é baseado em permissões; ainda assim, conceder a uma IA acesso às mensagens significa que “você está perdendo muitos dos benefícios que a criptografia de ponta a ponta tem a oferecer”.1 O risco aumenta se um usuário optar por salvar uma conversa do ChatGPT na nuvem, onde qualquer conteúdo de mensagem incluído segue as regras normais de retenção da empresa.
O lançamento também tocou em um nervo cultural. O chefe de experiência para desenvolvedores da OpenAI, Romain Huet, apresentou a possibilidade de perguntar com quem os usuários mais conversam, o que discutem e quais acompanhamentos perderam.2 Alguns usuários viram um avanço de produtividade; o analista Max Weinbach chamou isso de “uma mudança de jogo”, enquanto Yana Welinder celebrou uma forma de encontrar coisas no “buraco negro” do iMessage.2
Outros traçaram uma linha mais rígida: “Se eu descobrir que uma IA tem trocado mensagens comigo em seu nome, nunca mais falarei com você”, escreveu um usuário.2 A disputa já não é apenas sobre um assistente útil. Trata-se de saber se a pessoa que segura o telefone pode unilateralmente convidar esse assistente para a conversa de todos os outros.