História
agosto 29, 2026
Acordo petrolífero de Trump com a Venezuela aposta alto em uma recuperação arriscada
O governo Trump afirma que seu controle planejado de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas poderia atrair investimentos e recompor os estoques de emergência dos EUA. Céticos dizem que a indústria debilitada da Venezuela e a incerteza política podem tornar essa promessa difícil de cumprir.
Washington apresenta seu acordo petrolífero com a Venezuela como uma medida de segurança energética com enorme potencial de ganho; críticos veem um acordo politicamente frágil construído sobre uma indústria que levará anos e bilhões de dólares para ser revitalizada.
O presidente Donald Trump anunciou um acordo para assumir o controle do acesso a 65 bilhões de barris de reservas de petróleo venezuelanas, um volume maior que os estimados 46 bilhões de barris de reservas comprovadas dos Estados Unidos. Segundo a estrutura divulgada, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concedeu a uma empresa privada uma concessão de 100 anos sobre campos principais, enquanto o governo federal dos EUA controlaria 55% da produção efetiva do empreendimento por meio de participação acionária e direitos de produção.1
O acordo seria incomum para Washington. Os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo, mas não têm uma gigante petrolífera estatal comparável à Saudi Aramco, da Arábia Saudita, à Rosneft, da Rússia, ou à Petrobras, do Brasil. Uma autoridade dos EUA disse que a nova empresa poderia se tornar a segunda maior detentora corporativa de reservas comprovadas do mundo, atrás da Aramco.1
Rodríguez apresentou a proposta como um caminho para obter capital, afirmando que ela traria mais de US$ 100 bilhões em investimentos e geraria US$ 209 bilhões para o governo da Venezuela.1 O governo, por sua vez, afirma que o aumento da produção poderia, eventualmente, ajudar a reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo, que estava em 289,7 milhões de barris — seu nível mais baixo desde novembro de 1982 — após um choque energético forçar retiradas dos estoques.1
Mas o cronograma é a principal fraqueza do acordo. A produção venezuelana caiu para cerca de 1,1 milhão de barris por dia, ante um pico de 3,5 milhões há mais de duas décadas. Restaurar essa capacidade exigiria investimento sustentado e confiança renovada de empresas cujos ativos foram nacionalizados por governos anteriores. Chevron, Halliburton e Eni estão entre as empresas que, segundo relatos, consideram ou discutem a expansão de suas atividades.1
O cético Dean Baker, economista sênior do Center for Economic and Policy Research, argumentou que qualquer futuro governo democrático venezuelano rejeitaria o acordo: “a primeira coisa que fará será jogar o acordo de Trump no lixo.”1