História
setembro 2, 2026

Esperanças de trégua em Hormuz colidem com nova escalada entre EUA e Irã

O Irã afirma que pode reativar o marco do cessar-fogo de junho se Washington fizer o mesmo, mas novos ataques, a ofensiva contra um petroleiro e a ameaça de Trump de uma resposta mais dura recolocaram o Estreito de Hormuz no centro do conflito.

Teerã apresenta um retorno ao cessar-fogo de junho como possível se Washington restabelecer seus compromissos, enquanto o governo Trump retrata a força e a pressão econômica como necessárias para conter a capacidade do Irã de ameaçar a navegação. Críticos argumentam que o próprio confronto transformou Hormuz em um campo de batalha.

A abertura existia em junho: um memorando de entendimento previa um cessar-fogo imediato e 60 dias de negociações de paz mais amplas. O Irã deveria remover minas e permitir a passagem pelo Estreito de Hormuz; os Estados Unidos deveriam encerrar seu bloqueio naval, aliviar sanções e apoiar a reconstrução iraniana. O acordo, porém, rapidamente se desgastou, mesmo com os combates abertos diminuindo por mais de um mês.

Em uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai na terça-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian ofereceu um caminho de volta, dizendo que, se Washington retornasse aos seus compromissos, “a República Islâmica do Irã retribuirá imediatamente.” Sua posição não é necessariamente a única de Teerã: a Guarda Revolucionária pressionou por termos mais duros, incluindo o controle iraniano de Hormuz e compensação de guerra — exigências que provavelmente serão rejeitadas por Washington.

A calmaria terminou no domingo, quando forças dos EUA atingiram dois lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak, afirmando que eles se destinavam a disparar foguetes capazes de transportar minas marítimas para o estreito. O Irã respondeu na segunda-feira com ataques a duas bases americanas na Jordânia. A mensagem de Trump foi direta: “Vamos atingi-los com força”, disse ele, prometendo uma resposta a ataques contra instalações dos EUA.

Também na segunda-feira, um petroleiro que deixava o Golfo Pérsico foi atingido por três projéteis não identificados perto de Omã, sem vítimas relatadas. Outro petroleiro teria sido parado nas proximidades. Os incidentes ressaltaram o peso comercial em torno do estreito canal de navegação, enquanto os preços do petróleo subiram acima de US$ 90 por barril.

Defensores de Washington veem o ataque a Larak como uma ação limitada de imposição, e não como um objetivo de guerra mais amplo: um analista afirmou que ele visou lançadores, não a infraestrutura militar mais ampla do Irã. Mas críticos da guerra rejeitam esse enquadramento. Em uma mensagem republicada, o defensor dos direitos humanos Ken Roth disse que o confronto em Hormuz “não era um problema antes da guerra escolhida por Trump.” Em outra, argumentou que o estreito estava aberto antes do conflito e citou pelo menos 71 ataques a navios e 19 mortes de marinheiros desde então.