História
setembro 6, 2026

O novo CEO da Apple herda o cargo que Tim Cook não deixará por completo

Tim Cook retrata a transferência de liderança da Apple como uma transição excepcionalmente tranquila, enquanto analistas veem John Ternus herdando uma missão mais difícil: preservar a disciplina da era Cook enquanto revive o apetite da empresa por produtos inovadores e IA.

John Ternus tornou-se formalmente o diretor-executivo da Apple na terça-feira, encerrando os 15 anos de Tim Cook no comando. Cook, de 65 anos, não está desaparecendo: como presidente executivo, a Apple afirma que ele continuará cuidando de assuntos selecionados da empresa, incluindo o diálogo com formuladores de políticas em todo o mundo.

Cook apresentou a sucessão como um modelo de continuidade. Em uma estreia de julho de Ted Lasso, ele disse que a Apple havia estabelecido “o padrão do melhor de todos os tempos” para a transição e que os eventos estavam se desenrolando “exatamente” como esperado. Em uma mensagem de despedida compartilhada online, ele disse aos funcionários da Apple que seu título mudaria, mas seu carinho pela comunidade da empresa não.

O momento deixa pouco espaço para cerimônias. Ternus, anteriormente chefe de hardware da Apple, disse aos funcionários que esperassem um “grande lançamento na próxima semana”, colocando o próximo evento do iPhone praticamente à porta do novo CEO. A Apple também deve revelar um iPhone dobrável neste mês — o maior redesenho de seu principal produto em 19 anos — enquanto tenta novamente integrar IA em toda a sua linha de produtos.

É aí que a narrativa otimista da sucessão se choca com uma realidade corporativa mais difícil. O analista de tecnologia de consumo Michael Gartenberg diz que a Apple precisa responder “o que vem a seguir?” e voltar a parecer “uma marca legal”, mesmo sendo uma empresa de vários trilhões de dólares. Jennifer Chatman, de Berkeley, oferece um alerta paralelo: uma empresa acostumada a um círculo interno estável precisa decidir se trouxe ideias novas suficientes.

Ternus vem montando sua própria equipe em meio a saídas, incluindo líderes de hardware que estão indo para Oura e OpenAI; o processo da Apple por propriedade intelectual, apresentado em julho contra a OpenAI, afirmou que mais de 400 ex-funcionários da Apple agora trabalham lá. A reação pública imediata, porém, foi calorosa: o CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, elogiou Cook por manter o “padrão de excelência” da Apple em enorme escala.

O teste mais longo é saber se a presença contínua de Cook dá estabilidade a Ternus — ou o ofusca. O professor de Harvard David Yoffie diz que o momento decisivo virá se os dois divergirem em grandes apostas, desde maiores investimentos em IA até retomar o carro da Apple ou abandonar o desenvolvimento do Vision Pro. Enquanto Ternus fazia sua própria breve estreia no X — “olá” —, até Elon Musk marcou a chegada do novo CEO da Apple.