História
setembro 9, 2026

A aposta da Suno em música de IA licenciada transforma alvo de processo em parceiro de gravadora

A Suno e a Warner veem a IA licenciada com compartilhamento de receita como uma oportunidade de dar aos artistas um papel em uma tecnologia que antes era tratada principalmente como uma ameaça. Críticos e litigantes, contudo, ainda argumentam que o crescimento inicial da empresa deixou sem resposta questões fundamentais sobre direitos autorais e identidade artística.

A guinada da Suno começou em meio a um cenário de conflito aberto. Warner Music, Sony Music e Universal Music processaram a empresa de música por IA por meio da Recording Industry Association of America em 2024, enquanto a Believe bloqueou a distribuição de músicas criadas pela Suno em abril. Mais recentemente, a editora Round Hill entrou com um caso separado de direitos autorais, e Jason Isbell e outros músicos ajuizaram uma ação coletiva alegando que a Suno explorou as identidades de artistas sem consentimento — alegações que, segundo a Suno, não têm mérito.

Na quarta-feira, a Suno apresentou a v6, sua primeira geração de modelos musicais desenvolvida sob parcerias formais com a indústria. A empresa afirma que o sistema foi treinado com gravações licenciadas da Warner juntamente com dados de usuários da Suno, enquanto material da BMG e de artistas participantes da Believe e da TuneCore está sendo adicionado. Ela aposentará seus modelos anteriores; os usuários podem fazer edições detalhadas em linguagem natural e inserir texto, áudio, imagens ou vídeo. A Suno ainda proíbe prompts que busquem a semelhança de um artista ou música conhecidos.

Para o chefe de produto da Suno, Jack Brody, o acordo não é meramente uma resolução sobre o material de treinamento. “A forma errada de pensar nessa parceria é considerá-la um acordo sobre os dados”, disse ele, apresentando-a, em vez disso, como uma maneira de desenvolver produtos com detentores de direitos, artistas e a indústria. Os acordos incluem compartilhamento de receita, embora os termos não tenham sido divulgados.

A liderança da Warner apresenta a participação como a resposta mais prática ao avanço da IA. Seu diretor-executivo, Robert Kyncl, disse: “Ao chegar cedo, você tem um lugar à mesa”, em vez de “apenas ficar sentado, observando o que está acontecendo e movendo processos”. Isso representa uma mudança marcante para uma gravadora que havia processado a Suno ao lado de suas pares entre as grandes gravadoras.

A escala da empresa torna o experimento difícil de ignorar: a Suno afirma que mais de 100 milhões de pessoas a utilizaram, incluindo mais de dois milhões de assinantes pagos. Alguns músicos veem espaço para moldar a ferramenta em vez de rejeitá-la. Ali Gatie, que usa a Suno para transformar ideias brutas em demos, argumentou que os artistas deveriam ajudar a tornar a IA “algo globalmente positivo para a música”, em vez de fingir que ela não existe. Ainda assim, esse otimismo agora convive com litígios não resolvidos — e com a questão de saber se consentimento, remuneração e controle criativo conseguirão acompanhar a tecnologia.