História
setembro 9, 2026
Bessent desafia investidores a testar um respaldo maior do Tesouro
O grupo de Bessent apresenta uma intervenção contundente como salvaguarda contra a alta dos rendimentos e um movimento desestabilizador do iene, enquanto analistas de mercado alertam que um Tesouro mais agressivo poderia sacrificar a previsibilidade que os investidores esperam.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, passou de sinalizar preocupação com as pressões de mercado a desafiar abertamente os investidores a enfrentá-lo. Sua mensagem se baseia em duas frentes interligadas: apoiar o iene japonês e potencialmente intensificar as compras de dívida pública americana de longo prazo.
A operação com o iene veio primeiro. O Tesouro comprou ienes em uma medida concebida para poupar o Banco do Japão de ter de vender suas posições em títulos do Tesouro, segundo o relato da estratégia de Bessent. O Japão detém cerca de US$ 1,1 trilhão em dívida americana; uma venda de grande porte poderia elevar os rendimentos, num momento em que a dívida dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões e o déficit caminha para além de US$ 2 trilhões.1
Então, no mês passado, Bessent anunciou que o Tesouro recompraria pelo menos US$ 4 bilhões em títulos de 10 e 20 anos em circulação — o dobro da escala normal. O departamento deve divulgar o tamanho da operação na quarta-feira, antes de executá-la na quinta-feira. Analistas da Wrightson ICAP disseram que US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões agora pareciam um ponto de partida provável, embora um valor maior permanecesse possível.1
Na Southern Methodist University, Bessent deixou explícita a aposta política e de mercado: “Agora, eu sou a casa”, disse ele, acrescentando: “E vocês podem apostar contra mim, se quiserem.”1 A visão do governo é que uma atuação mais firme pode conter os rendimentos e proteger o funcionamento ordenado do mercado de títulos do Tesouro.
Mas a resposta do mercado não proporcionou uma comemoração fácil. O rendimento de referência de 10 anos subiu cerca de 10 pontos-base desde que a recompra foi anunciada, enquanto o rendimento de 30 anos também avançou ligeiramente. Ian Lyngen, da BMO Capital Markets, advertiu que essa postura rompe com a tradição do Tesouro de mudanças graduais e previsíveis de política e poderia trazer “consequências negativas para a credibilidade dos títulos do Tesouro como classe de ativos”.1
Esse é o teste que Bessent convidou: se uma determinação avassaladora tranquiliza os investidores — ou os faz questionar as regras do mais profundo mercado de títulos do mundo.