História
setembro 10, 2026
A aposta da Suno em IA licenciada testa se as gravadoras podem transformar um pirata em parceiro
A Suno e suas novas parceiras gravadoras apresentam a IA licenciada como uma forma de dar aos artistas participação em uma tecnologia inevitável, enquanto críticos veem uma empresa ainda tentando escapar de sérias preocupações sobre direitos autorais e consentimento. O lançamento transforma esse choque em um teste para saber se a colaboração pode substituir o confronto.
A Suno chegou há quatro anos com uma proposta simples: digite algumas palavras e gere uma música. A empresa afirma que mais de 100 milhões de pessoas já usaram o serviço desde então, incluindo dois milhões de assinantes pagantes, enquanto o diretor-executivo Mikey Shulman descreve seu propósito em termos quase desarmantemente humanos: “A empresa existe para permitir que as pessoas sintam aquelas sensações acolhedoras e agradáveis de serem criativas.”1
Essa promessa chegou a uma indústria que enxergava algo muito mais ameaçador. Grandes gravadoras acusaram a Suno de violação de direitos autorais em escala industrial em um processo de 2024; a Warner Music Group estava entre os autores antes de posteriormente chegar a um acordo com a empresa. A editora musical Round Hill entrou com uma ação separada, e Jason Isbell e outros músicos recentemente moveram uma ação coletiva alegando que a Suno explorou as identidades dos artistas sem consentimento. A Suno contesta essas alegações.
O novo lançamento v6 é a tentativa da empresa de mudar os termos do debate. Desenvolvidos com a Warner, a BMG e a Believe, os modelos foram treinados com música licenciada da Warner, juntamente com dados de usuários da Suno, segundo a empresa. A Suno afirma que o sistema bloqueia comandos diretos para imitar artistas ou músicas conhecidos, oferece controles de edição mais detalhados e aposentará seus modelos anteriores. Seus acordos também incluem compartilhamento de receita para os detentores de direitos, embora os termos financeiros permaneçam não divulgados.2
Para a Warner, a decisão de fazer um acordo e participar reflete cálculo, e não rendição. “Ao chegar cedo, você tem um lugar à mesa”, disse o executivo da Warner Robert Kyncl, contrapondo a parceria a simplesmente “entrar com processos judiciais.”1 O envolvimento da Believe é especialmente notável: ela havia bloqueado a distribuição de música criada pela Suno apenas em abril passado.
O chefe de produto da Suno, Jack Brody, insiste que os acordos não se referem apenas a dados de treinamento, mas à construção conjunta de produtos com gravadoras e artistas.2 O cantor e compositor Ali Gatie, que agora usa IA para transformar ideias brutas em demos e permite que fãs remixem seu trabalho, compartilha desse otimismo condicional: os artistas, argumenta ele, deveriam ajudar a tornar a IA “um saldo positivo para a música”, em vez de ignorá-la.2
O lançamento da v6 não apaga os litígios. No entanto, coloca uma alternativa comercial sobre a mesa: aderir, compartilhar a receita — e ver se a desconfiança mais profunda da indústria pode ser monetizada em coexistência.