História
setembro 11, 2026
Vitória da OpenAI em matemática desencadeia uma amarga disputa sobre quem encontrou o caminho primeiro
A OpenAI apresenta seu resultado em Navier–Stokes como uma demonstração independente do rápido avanço da IA, enquanto Tristan Buckmaster e Levent Alpöge veem um teste preocupante de se laboratórios de ponta podem competir com pesquisadores que usam suas próprias ferramentas. A disputa diz menos respeito à importância da matemática do que a crédito, dados e poder na ciência impulsionada por IA.
Por quase um ano, o matemático da NYU Tristan Buckmaster e o pesquisador da Anthropic Levent Alpöge vinham investigando questões relacionadas de dinâmica dos fluidos com o Codex da OpenAI e o Claude da Anthropic. Na segunda-feira, eles publicaram resultados sobre o problema de Euler forçado — um passo importante rumo ao desafio do Prêmio Millennium de Navier–Stokes.
Buckmaster diz que o clima mudou depois que soube que notícias de seu progresso haviam chegado à OpenAI. A rota escolhida por sua equipe, argumentou ele, era incomumente específica: “Não é a direção a que se chega em poucos dias simplesmente dando a um modelo o enunciado do problema.”1 Ele também alegou que o pesquisador da OpenAI Sébastien Bubeck pressionou para excluir Alpöge de um artigo conjunto proposto devido à sua afiliação com a Anthropic — uma alegação contestada pela OpenAI.
O relato da OpenAI começa em 1º de setembro, quando ela ouviu rumores de que dois problemas do Prêmio Millennium haviam sido resolvidos. Em seguida, destinou cerca de 10.000 agentes a problemas em aberto, com a execução de Navier–Stokes chegando a uma prova após 88 horas e a verificação formal levando outras 17. A empresa afirma que o esforço consumiu cerca de 130 bilhões de tokens de saída apenas nesse problema.2
Na terça-feira, a OpenAI anunciou uma prova de que o fluxo suave de fluidos tridimensionais pode desenvolver uma singularidade em tempo finito, classificando-a como um grande avanço para a matemática. Greg Brockman a celebrou como “um marco importante tanto para a IA quanto para a matemática” e um sinal de uma futura renascença científica.
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Mas o avanço imediatamente se tornou uma disputa sobre a origem. A OpenAI afirma que nem seus pesquisadores nem seus agentes viram o trabalho de Buckmaster e Alpöge antes de ele se tornar público, embora tenha admitido que “não pode descartar” que dados desidentificados derivados do uso de seus produtos tenham melhorado seus modelos.2 Buckmaster considera essa ressalva central, e não incidental.
Sam Altman defendeu a conduta da equipe, dizendo que ela buscou uma divulgação conjunta depois de inicialmente acreditar que os pesquisadores externos haviam resolvido Navier–Stokes.
4 Os críticos não se convenceram: uma republicação amplificada por Yann LeCun parabenizou Buckmaster e Alpöge, ao mesmo tempo em que elogiava sarcasticamente a OpenAI por não deixar “nenhuma boa transcrição de cliente sem ser explorada.”
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O resultado ainda pode se consolidar como uma prova histórica. Mas o episódio abriu uma questão igualmente relevante: quando laboratórios fornecem as ferramentas, a infraestrutura de treinamento e um vasto poder computacional, a quem pertence o caminho intelectual até a descoberta?