História
setembro 15, 2026

Agility acredita que a segurança, não a velocidade, libertará humanoides das jaulas de armazéns

A tese da Agility para o Digit 5 é que os robôs não ganharão escala de fato em locais de trabalho com humanos até que sistemas de segurança lhes permitam sair de células isoladas por cercas. A empresa combina esse argumento com uma máquina mais robusta e um ambicioso cronograma comercial, enquanto a economia dos humanoides continua indefinida.

As máquinas Digit anteriores da Agility Robotics já passaram mais de 65.000 horas em armazéns e fábricas da América do Norte, após uma implementação em tempo integral na GXO em Atlanta em 2024. Mas essas primeiras implementações permaneceram, em grande parte, atrás de barreiras físicas — justamente a restrição que o Digit 5 pretende eliminar.

Apresentado na terça-feira, o Digit 5 usa sensores embarcados baseados em visão e IA para reagir à entrada de pessoas em sua trajetória. À distância, ele pode desacelerar, sair do caminho ou parar; se alguém continuar se aproximando, pode agachar até o chão e desligar seus motores. O diretor de tecnologia Pras Velagapudi o chamou de um “sistema complexo de movimento seguro”, projetado para escolher entre medidas de mitigação dependendo da presença humana detectada.

Isso é mais do que um recurso técnico. A Agility argumenta que a segurança em piso compartilhado poderia permitir que robôs se movimentassem por corredores ativos, parassem enquanto trabalhadores trocam paletes e assumissem tarefas nas quais uma jaula de segurança simplesmente não é prática. Jonathan Hurst, cofundador e diretor de robótica da empresa, descreveu a segurança como um “bloqueio” em toda a indústria. A Agility também está ajudando a desenvolver a proposta de norma ISO 25785-1 para robôs móveis industriais, enquanto integra o software de segurança da Nvidia à arquitetura computacional do Digit 5.

O redesenho visa à produtividade, bem como à cautela. O Digit 5 substitui os joelhos dobrados para trás de seu antecessor por uma configuração mais semelhante à humana, levanta até 50 libras — cerca de 40% a mais do que o modelo anterior — e pode recarregar em cerca de nove minutos após aproximadamente 90 minutos de trabalho. “Não precisamos correr uma maratona com este robô”, disse Hurst. “Precisamos levantar coisas pesadas.”

A Agility espera oferecer acesso antecipado na América do Norte no primeiro semestre de 2027 e disponibilidade geral até o fim do ano, antes de se expandir para a Europa e o Reino Unido. O teste comercial é contundente: a empresa afirma ter mais de US$ 300 milhões em pedidos plurianuais do Digit 5, mas reportou US$ 1,8 milhão em vendas líquidas em 2025 e um prejuízo operacional de US$ 140 milhões. Seu custo ilustrativo para clientes em cinco anos — cerca de US$ 400.000 por robô — mostra o quanto o Digit precisa comprovar antes que a segurança se transforme em um avanço comercial.