Notícia
setembro 16, 2026
Rivais correm para criar regras de segurança para IA antes que a política os ultrapasse
OpenAI, Anthropic e Google DeepMind veem a cooperação como uma forma urgente de gerenciar riscos dos modelos de fronteira, enquanto críticos temem que a mesma agenda de segurança possa consolidar os maiores laboratórios e líderes políticos resistem a qualquer desaceleração que possa enfraquecer a corrida dos EUA pela IA.
O impulso começou em julho, quando o chefe do Google DeepMind, Demis Hassabis, propôs um “Órgão de Padronização” de IA liderado pelos EUA — um arranjo público-privado ou de autorregulação com supervisão federal. A ideia era dar aos laboratórios concorrentes de fronteira um mecanismo compartilhado para enfrentar riscos que nenhum deles consegue administrar de forma crível sozinho.1
No sábado, o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, reforçou a urgência, pedindo às empresas que desacelerassem o aprimoramento de seus modelos mais avançados para evitar resultados catastróficos. Hassabis classificou a abordagem como “o caminho certo a seguir”, enquanto o chefe da OpenAI, Sam Altman, disse que definir o ritmo dos sistemas de fronteira se tornou um “tema principal” dentro da OpenAI.1
Na terça-feira, a OpenAI confirmou que vinha conversando havia semanas com a Anthropic e o Google sobre trabalho conjunto em segurança. Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, argumentou que padrões voluntários do setor deveriam complementar, e não substituir, “salvaguardas federais obrigatórias e supervisão democrática”. A empresa também apoiou a verificação externa das práticas de segurança dos principais laboratórios.1
As conversas expõem uma tensão incômoda: as empresas são rivais comerciais ferozes, mas todas enfrentam pressão para mostrar que conseguem governar modelos cada vez mais capazes. O chefe da Microsoft, Satya Nadella, enquadrou a tarefa como social e técnica, pedindo esforços para disseminar os benefícios da IA, conquistar a permissão das comunidades e garantir “segurança e controle da IA”.
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Mas o consenso emergente está longe de ser universal. Relatos dizem que alguns participantes levantaram preocupações antitruste caso a coordenação suprima a concorrência; Amodei sugeriu uma isenção governamental limitada, enquanto Lehane diz que ela é desnecessária. O presidente Donald Trump e o assessor David Sacks, por sua vez, rejeitaram argumentos sobre riscos existenciais e alertaram que uma desaceleração dos EUA poderia beneficiar a China.3
A crítica mais contundente do setor vem do cientista de IA da Meta Yann LeCun, que amplificou o argumento de que a Anthropic e a OpenAI podem usar a regulação de segurança para “proibir modelos competitivos de código aberto”.
4 A coalizão de segurança agora precisa provar que a cooperação protege o público sem proteger discretamente os atuais líderes do mercado.