Notícia
20 de out de 2026
Wall Street acolhe a IA — mas fecha a porta aos seus agentes
Os bancos e as empresas de IA concordam que a ajuda financeira automatizada está a chegar, mas divergem fortemente sobre quem deve controlá-la: Wall Street quer um acesso rigidamente governado, enquanto os criadores de agentes pessoais defendem sistemas que possam agir em toda a vida digital de um cliente.
O confronto começou quando empresas de IA para consumidores expandiram as suas ambições para além de redigir e-mails e reservar viagens. Em setembro, a Meta lançou o Muse com funcionalidades financeiras baseadas em ligações à Plaid, permitindo aos utilizadores partilhar saldos de contas, transações e participações de investimento para orientação personalizada. A resposta da Meta à inquietação empresarial foi o Poppy, um protocolo proposto destinado a mostrar quando um agente de IA está a agir com a autorização de um cliente.1
Até 13 de outubro, o JPMorgan Chase tinha traçado uma fronteira mais rígida. O diretor-executivo Jamie Dimon afirmou que o banco não admitiria agentes externos nos seus sistemas apenas porque um cliente tinha fornecido credenciais. “Não se querem agentes descontrolados, e pode haver milhares deles”, disse, alertando os clientes de que conceder acesso também significava aceitar uma “transferência de responsabilidade”.2
O banco não está a rejeitar a IA por completo. O JPMorgan afirma que apoia a partilha segura de dados autorizada pelos clientes através de fornecedores de open banking e que está a desenvolver as suas próprias ferramentas de proteção. O seu argumento é simples: um sistema autónomo que opere fora dos controlos do banco pode cometer erros, expor dados ou desencadear transações cuja responsabilidade está longe de ser clara.1
A Charles Schwab seguiu com a mesma mensagem essencial. O CEO Rick Wurster disse em 14 de outubro que a corretora estava a bloquear agentes não autorizados que iniciam sessão em nome de clientes, ao mesmo tempo que explora ligações controladas através de servidores do Model Context Protocol. Essas ligações poderiam permitir acesso limitado a informações como saldos ou pesquisa, mas impedir ações de maior risco, como transferir dinheiro.2
Wurster tornou explícita a questão da responsabilidade: “Não queremos que alguém simplesmente forneça a sua palavra-passe ao Muse e deixe o Muse entrar e agir em nome desse cliente.” Nem a Schwab nem o cliente poderiam controlá-lo integralmente, afirmou, perguntando: “algo poderia correr mal e quem seria responsável?”3
O debate mais amplo não está resolvido. Alguns receiam que a IA possa acelerar a fuga de depósitos ao procurar constantemente melhores taxas; Charlie Scharf, da Wells Fargo, considera esse cenário “completamente exagerado”. Entretanto, os legisladores estão a ponderar uma responsabilização mais clara para agentes que causem danos. Por agora, o compromisso dos grandes bancos é claro: assistência de IA, sim; agentes externos não supervisionados com as chaves das contas dos clientes, não.2