História
agosto 31, 2026
Investida de Trump pelo “Lago América” encontra resistência canadense — e um boom para o MapQuest
Trump ordenou que agências dos EUA chamassem o Lago Ontário de “Lago América” em meio ao agravamento de uma disputa comercial com o Canadá. Líderes canadenses rejeitaram a medida, enquanto o MapQuest transformou sua recusa em cumpri-la em uma disparada de downloads.
Trump apresenta o novo nome como uma afirmação da autoridade dos EUA em meio a uma disputa comercial; líderes canadenses o veem como uma afronta inútil à história, enquanto o MapQuest tratou a reação negativa tanto como uma questão de princípio quanto como uma oportunidade de negócios inesperada.
A disputa se intensificou após o colapso das negociações comerciais entre EUA e Canadá e a imposição, por Washington, de tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses. O Canadá respondeu com tarifas sobre US$ 20 bilhões em importações dos EUA. Nesse contexto, o presidente Donald Trump assinou na quinta-feira uma ordem executiva instruindo o Departamento do Interior a mudar o nome do Lago Ontário para “Lago América” no serviço de nomenclatura geográfica dos EUA.
Na assinatura no Salão Oval, Trump declarou a mudança “oficial, com efeito imediato”, embora a ordem dê às agências 30 dias para implementá-la. Ele disse que a medida não tinha a intenção de ser uma mensagem geopolítica, mas então a vinculou diretamente às suas queixas mais amplas: “O Canadá vem nos explorando há muito tempo” em questões comerciais e militares. A ordem não pode obrigar o Canadá — nem cartógrafos internacionais — a adotar o nome. 1
Autoridades canadenses responderam com um desprezo incomumente unificado. O primeiro-ministro Mark Carney enfatizou que as raízes indígenas do nome antecedem tanto a Confederação Canadense quanto a Declaração de Independência dos EUA, argumentando que essa realidade significa chamá-lo de “Lago Ontário — ontem, hoje e sempre”. O premiê de Ontário, Doug Ford, disse que o lago continuaria sendo o Lago Ontário “para os canadenses e o resto do mundo”, enquanto Tim Houston, da Nova Escócia, classificou o episódio como “uma verdadeira tolice”. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, acrescentou que seu estado não usaria o rótulo preferido por Trump. 1
A indústria de mapas rapidamente se tornou o teste prático. O Google Maps afirmou que seguiria o banco de dados geográfico dos EUA para usuários americanos, exibindo aos canadenses o nome estabelecido e, aos usuários de outros lugares, ambas as versões. O MapQuest adotou a posição oposta, dizendo que manteria Lago Ontário — assim como havia mantido “Golfo do México” após a ordem anterior de Trump para renomeá-lo.
Essa posição gerou um retorno notável: o MapQuest disse ter recebido centenas de milhares de downloads e visto o uso subir para 50 vezes os níveis normais, enquanto dados de terceiros registraram um crescimento de mais de dez vezes nos downloads em relação à semana anterior. “Adotamos a mesma abordagem que tivemos com o Golfo do México”, disse o gerente-geral Doug Berger, “dar às pessoas um aplicativo que mantém os nomes com os quais estão familiarizadas”. 2